terça-feira, 7 de maio de 2013

O CIRCO DAS LEMBRANÇAS




            Hoje me lembrei da minha infância  em uma cidadezinha pequenina onde as ruas ainda eram de terra e quando chovia ficava um lamaçal danado, mas eu gostava.
            A grande alegria da molecada era a chegada do circo na nossa vila, era um circo pequeno mas com grandes artistas, a charanga muito animada e maluca saia pelas ruas anunciando a sua chegada, cantando muitas chulas.

Senhoras e senhores!
Respeitável público!
Não percam, hoje às oito da noite, o nosso grande Espetaculo!

Venham, venham, venham ver...
As atrações que trazemos para vocês!

Artistas, ilusionistas, mágicos e malabaristas!

Venham, venham, venham ver !
As atrações que trazemos para vocês!

Equilibristas, contorcionistas, trapezistas e acrobacias!

Venham, venham, venham ver !
As atrações que trazemos para vocês!

Mulheres lindas, palhaços, a xaranga maluca, pipoca e algodão doce!

Vamos, vamos correndo, o circo vai iniciar a função!!!!


            Era muito bom, eu fui em muitas vezes nesse circo, mas teve duas que marcaram muito para mim. A primeira  foi em uma tarde muito ensolarada, onde dava para ver os raios de sol adentrando pelos buracos que existia no interior da lona, com arquibancada de madeira rustica, era uma imagem muito linda, os artistas interagiam com o ambiente, o céu estava sempre ao seu favor, a coisa mais linda de se ver. Eu ficava com vontade de ir embora com a trupe para conhecer outros lugares, mas eu não podia porque eu era pequeno, e não poderia deixar minha querida mãe e meus irmãos sozinho na minha casa. Se eu fosse o que seria deles!
            Por este motivo eu resolvi ficar e não acompanhei o circo, sei que tudo tem seu tempo certo.
            A segunda vez que também foi muito emocionante ir naquele circo, não era hora do espetáculo  mas eu tinha feito amizade com os artistas, e eu comecei visitar ele, conversava com o malabarista e com as lindas bailarinas, observava atentamente os trapezistas que pareciam anjos no céu, fazendo acrobacias arriscadas e adora ver aquele palhaço atrapalhado e atrapalhando do mundo , eu ria muito com ele, mas teve um dia que eu percebi que aquele palhaço engraçadíssimo  não estava tão feliz com nos outros dias, ele estava triste e chorando, ai eu fui devagarinho se aproximando dele, ele nem percebeu minha presença, foi quando eu vi na mão dele uma foto, eu muito curioso perguntei a ele, porque estava triste.
            -- Seu palhaço o que aconteceu? Não fica triste não.
            O palhaço começou a secar os olhos com as mangas da camisa.
            Ele me perguntou?
            -- Menino quantos anos você tem?
            Ai eu disse que tinha sete anos.
            O palhaço começou a contar que tem um filho e faria sete anos também, e participava junto com ele dos números no picadeiro, ele ficava muito emocionado por poder dividir a sua arte com seu filho. Eram a atração principal do espetáculo, as crianças ia ao delírio com os palhaços Picolino e Picolini.
            Mas o circo passava por algumas dificuldades, não tinha muitos espaços para erguer a lona, tinha cidades que não permitia entrada de animais, com isso começou a diminuir o publico,  e ele começou ter dificuldade financeira, tinha dia que tinha dinheiro e tinha dia que não tinha dinheiro e sua mulher que era a bailarina do circo, resolveu voltar morar com sua família que não era de circo e levou o seu filho junto, o pequeno palhacinho. Agora ele se apresenta sozinho no picadeiro e vê o filho de vez em quando, quando dá.
            Ele terminou de me contar essa triste estoria, limpou os olhos e me disse que o espetáculo nunca pode parar.
            Hoje eu percebo como a vida de um artista não é fácil  mas eles tem uma coisa muito especial, que é a magia de super os grandes desafios, e nos ensina que temos que buscar os nossos sonhos, que sempre será possível.


Texto: Claudiano Dias.

sábado, 4 de maio de 2013

Programação circo, teatro, musica na Virada cultural 2013


Palco Parque da Luz


Viradinha Cultural com programação especial para as crianças.

GRAMAÇÃO

Sábado - (18/05)

00h00
Show de Mágica 24 horas

08h00
Glocalidades com Núcleo Pé de Zamba

18h00
Circo de Bonecos - Circus

18h00
Circo de Bonecos - Circus

18h00
Glocalidades com Núcleo Pé de Zamba

18h00
Show de Mágica 24 horas

20h00
Bonecos Urbanos - Só Sonho Samba

20h00
Bonecos Urbanos - Só Sonho Samba

Domingo - (19/05)

00h00
Histórias para inventar cidades

00h00
Inimar dos Reis - Cortejo de Bonecos

02h00
Bonecos Adultos - O conto do Anjo Caido

02h00
Bonecos Adultos - O conto do Anjo Caido

03h00
Cia do Fogo - Dragão de Fogo

03h00
Cia do Fogo - Dragão de Fogo

04h00
Cia do Fogo - Intervencoes de Pirofagia

04h00
Cia do Fogo - Intervencoes de Pirofagia

06h00
Girasonhos - Canta Girasonhos

08h00
Experimento Circo com Circo Amarillo

08h00
Experimento Circo com Circo Amarillo

08h00
Fuxico - Histórias do Bem te vi

08h00
Fuxico - Histórias do Bem te vi

09h00
Toc Patoc

09h00
Toc Patoc

09h30
Circo Malabarístico com Irmãos Becker

09h30
Circo Malabarístico com Irmãos Becker

10h00
Cia.Pia Fraus - Gigantes de Ar

10h00
O Conto dos Pássaros

10h00
O Conto dos Pássaros

11h00
Besouro Mutante com Namakaka

11h00
Besouro Mutante com Namakaka

11h00
Histórias para inventar cidades

12h00
Bonecos Urbanos - No curso do Rio

12h00
Bonecos Urbanos - No curso do Rio

12h30
Gari Muccioloco com Muccioloco Circus

12h30
Gari Muccioloco com Muccioloco Circus

14h00
G. Sol - Mulambolambo

14h00
G. Sol - Mulambolambo

15h00
Caí, meu corpo, meu brinquedo

15h00
Caí, meu corpo, meu brinquedo

16h00
Abacirco - Espetáculos de Variedades

16h00
Abacirco - Espetáculos de Variedades

16h00
O Concerto da Lona Preta com Trupe Lona Preta

16h00
O Concerto da Lona Preta com Trupe Lona Preta

17h00
O Conto Cantado

17h00
O Conto Cantado

22h00
Cia. Pia Fraus - Gigantes de Ar

22h00
Inimar dos Reis - Terreiro de Folia

22h00
Inimar dos Reis - Terreiro de Folia


Palco Parque da Luz
Rua Ribeiro de Lima, 99
São Paulo


Sesc Bom Retiro

Exposições de Ilustrações e Grafite, e Coreografias. Estação mais próxima: Júlio Prestes - Linha 8 - Diamante da CPTM

PROGRAMAÇÃO

Sábado - (18/05)

18h00
Dança de Salão

18h00
Eri e Erisvaldo - Mestres da Embolada

18h00
Jardim Elétrico

18h00
Lá e Cá - Os Livros Viajantes

18h00
Laboratório de Luz e Sombra

18h00
Mostra de Cinema Mudo

18h00
Mundo Circo

18h00
RAPentista Urbano

18h30
Cinema na Virada

18h30
Histórias Para Ler Junto

18h30
Itinerário

19h00
Herivelto Martins 100 anos

20h00
Desenhando São Paulo - Charges e Tirinhas HQ

20h00
Eri e Erisvaldo - Mestres da Embolada

20h00
Improviso de Palhaços

20h00
RAPentista Urbano

20h00
Você Improvisa Nós Registramos

20h30
Cidades Invisíveis - A Viagem do Rei Velhinho

21h00
Animação Inesperada

21h00
RAPentista Urbano

22h00
Armando Cerqueira Trio

Domingo - (19/05)

10h00
Brincando de Improviso

10h00
Canto das Criações

10h00
Jardim Elétrico

10h00
Lá e Cá - Os Livros Viajantes

10h30
Histórias Para Ler Junto

10h30
Improviso nas Estantes

10h30
Você Improvisa Nós Registramos

11h00
Cinema na Virada

11h00
Dança de Salão

11h00
Kevin o Vira Lata

11h00
Mundo Circo

11h30
Mostra de Cinema Mudo

12h00
As Aventuras de Urashima Taro

12h00
Improviso nas Estantes

12h30
Exibição Luz e Sombra

13h00
Imagina&ação

13h00
Improviso nas Estantes

13h00
Partido na Cozinha Convida Osvaldinho da Cuíca

14h00
Desenhando São Paulo - Charges e Tirinhas HQ

14h00
Tagtool Sessions

15h00
Cidades Invisíveis - A Viagem do Rei Velhinho

15h00
Orquestra Natural

16h00
Brincadeiras Tradicionais da Oceania

16h00
Improviso de Palhaços

17h00
Jogando no Quintal Pocket

18h00
Herivelto Martins 100 anos


Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185
São Paulo


terça-feira, 16 de abril de 2013

Oficinas gratuitas em SP




FOTOGRAFIA / LITERATURA

OFICINA: ALÉM DA FOTOGRAFIA

Coordenação: Arô Ribeiro e Fernando Ferrari

9/5 a 6/6 – segundas e quintas-feiras – 18h30 às 21h30

Público: interessados a partir de 15 anos

Inscrições: 29/4  a 4/5

Seleção: aula aberta (6/5 – segunda-feira – 18h30 às 21h30)

15 vagas

A atividade mescla fotografia e literatura em um trabalho que tem o objetivo de estimular o olhar perceptivo sobre o cotidiano: a partir da realização de fotos que registram o dia a dia, as imagens obtidas serão reinterpretadas poeticamente em pequenos textos e crônicas.

Arô Ribeiro é fotógrafo, ator, iluminador, cenógrafo e performer. Como fotógrafo, participou como convidado do projeto “Flexões, um estudo sobre a sexualidade plural” e, desde 2010, desenvolve um trabalho autoral sobre retratos e formas intitulado “Cores Proibidas”.

Fernando Ferrari, publicitário, redator, escritor e fotógrafo, é formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduado em Comunicação Empresarial. Publicou cinco livros, nos gêneros romance e crônica, e foi premiado em concursos literários no Brasil e no exterior.



TEATRO

OFICINA DE INCIAÇÃO TEATRAL

Coordenação: Maria Silvia do Nascimento

8/5 a 26/6 – quartas-feiras – 14h30 às 17h30

Público: interessados entre 14 e 18 anos

Inscrições: 29/4 a 7/5

Seleção: primeiros inscritos

20 vagas

Visão panorâmica do teatro, esta oficina pretende oferecer uma experiência significativa em artes cênicas, que possibilite ao jovem se apropriar das especificidades da linguagem e que contribua para a sua formação global. Baseadas principalmente nas concepções de Augusto Boal, as vivências desenvolverão a consciência corporal e vocal, a integração, a comunicação, a desinibição e a expressividade.

A atriz Maria Silvia do Nascimento, integrante da Cia. Asfalto de Poesia, é formada pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul e desenvolve pesquisa sobre comicidade feminina na Unesp, sob orientação de Mario Bolognesi. Premiada como Melhor Atriz em festivais de teatro em São Caetano do Sul e Ribeirão Pires.



OFICINA DE TEATRO: E O PALHAÇO, O QUE É?

Coordenação: Esio Magalhães

10/5 a 7/6 – sextas-feiras – 14h às 17h

Público: iniciados na linguagem do clown, a partir de 16 anos

Inscrições: 29/4  a 7/5

Seleção: currículo

20 vagas

A proposta da oficina é mergulhar no universo do palhaço, por meio de situações de prazer e de risco, e chegar ao nariz vermelho, a menor máscara do mundo. Com ênfase na relação entre Branco e Augusto (dois tipos clássicos de clown) e destes com o público, este trabalho prático com exercícios e jogos incentivará o participante a entrar em contato com o seu ridículo e encontrar seu próprio palhaço.

Esio Magalhães é ator, diretor, palhaço e pesquisador teatral, formado pela Escola de Arte Dramática da ECA-USP. Ex-integrante do Doutores da Alegria, é sócio-fundador do Barracão Teatro, no qual pesquisa a linguagem da máscara teatral em parceria com Tiche Vianna. Foi duas vezes indicado ao Prêmio Shell na categoria Melhor Ator.



OFICINA DE MAQUIAGEM ARTÍSTICA PARA TEATRO

Coordenação: Karen Belvedere

10/5 a 28/6 – sextas-feiras – 18h30 às 21h30

Público: atores e estudantes de teatro, a partir de 15 anos (os participantes deverão trazer seu próprio kit de maquiagem)

Inscrições: 29/4 a 9/5

Seleção: primeiros inscritos

15 vagas

De forma prática, a oficina visa revelar as funções e potencialidades da maquiagem no teatro, apresentando uma base de técnicas utilizadas para imprimir as características do personagem no rosto do intérprete, em harmonia com a concepção estética do espetáculo.

Karen Belvedere tem formação técnica em teatro pela Escola Recriarte e é graduanda em Artes pela Faculdade Mozarteum de São Paulo. Trabalha como maquiadora artística e desenvolve pesquisas sobre as distintas técnicas de caracterização de personagens para teatro, TV e vídeo de alta definição.



LEITURA DRAMÁTICA: LUIZ GAMA OU O DIABO COXO

Texto: Gabriela Rabelo

Direção: Eduardo Silva e Sidney Santiago

10/5 – sexta-feira – 19h30

Indicação: 15 anos

40 lugares (retirar ingresso com 30 minutos de antecedência)

“Luiz Gama ou o Diabo Coxo" conta a história do grande abolicionista, tendo como pano de fundo os conflitos do Brasil pré-abolicionista do séc. XIX. Em busca de Fidélia, uma escrava alforriada recapturada, Luiz Gama se depara com Maria – uma jovem branca que teve o filho arrancado de seus braços por ser fruto de seu amor com Benedito, um jovem negro. Ao conhecer a luta de Luiz Gama, Maria percebe a crueldade do sistema escravocrata e os abismos que ele cria entre as pessoas. Elenco (por ordem de entrada): Cida Baú, João Acaiabe, Rosana Maris, Edson Montenegro, Lizette Negreiros, Carla Martelli, Cibele Troyano, Décio Pinto, Max Mu, Jedson Kárta e Gabriela Rabelo.



OFICINA DE CANTO E INTERPRETAÇÃO MUSICAL

Coordenação: Pedro Paulo Bogossian

13/5 a 17/6 – segundas-feiras – 18h30 às 21h30

Público: atores, cantores e estudantes de teatro a partir de 18 anos

Inscrições: 29/4 a 4/5

Seleção: aula aberta (6/5 – segunda-feira – 18h30 às 21h30)

20 vagas

Por meio de atividades voltadas à interpretação de textos e canções, a oficina tem como objetivo propiciar uma vivência no gênero teatral Comédia Musical, com ênfase no subgênero Cabaré, levando o participante a compreender a estrutura dos espetáculos de esquetes e as funções da música na cena da comédia.

Pedro Paulo Bogossian é compositor, diretor musical, preparador vocal e pianista, um dos fundadores e principais integrantes do grupo paulistano Circo Grafitti. Especializado na inter-relação da cena teatral com a música, colabora constantemente para a concepção musical de aclamados espetáculos paulistanos. Recebeu os prêmios Shell, APCA e, por quatro vezes, o APETESP.



Oficina Cultural Amácio Mazzaropi
Avenida Rangel Pestana, 2401 – Brás
11 2292-7071 / 2292-7711
amaciomazzaropi@oficinasculturais.org.br
www.oficinasculturais.org.br

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Tendências/Debates: O circo de lona e a resistência urbana


Saiu um texto na folha de SP, dos diretores da associação dos amigos do Centro de memoria do circo, sobre o Circo e a lona. Pascoal da Conceição e Eduardo Rascov.

"O circo era um balão iluminado..." (Oswald de Andrade) 

Dias atrás, numa reunião da novíssima Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo, discutíamos a periclitante situação do circo de lona, esse balão iluminado que encanta desde os mais remotos tempos, quando, itinerante, mambembeava por quase todas as cidades do planeta, erguendo nelas a mais antiga sala de espetáculos do mundo.

Abrigo mínimo do sol, da chuva, das intempéries, frágil balão colorido e iluminado, dentro da lona se apresentavam atores, cantores, trapezistas, bichos, mágicos, palhaços, enfim, o mundo... do circo.

É necessário agir para que a cultura material e imaterial do circo nas cidades seja resgatada e preservada, missão maior do Centro de Memória do Circo. Por isso, que tal ajudar a fazer uma espécie de arqueologia do imaginário e doar material relativo ao circo, como fotografias, filmes, livros, discos, peças gráficas, figurinos?

Na linha do tempo do circo de lona na cultura brasileira, estão os ilustres modernistas Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti Del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, Paulo e Yan de Almeida Prado e Di Cavalcanti, entre outros, que muitas vezes assistiam aos espetáculos do palhaço Piolin, no largo do Paissandu, nos anos 20.

Mário de Andrade dizia, sem cerimônia, que o circo e o teatro de revista eram os únicos "espetáculos que ainda se pode frequentar no Brasil".

Infelizmente, muitos dos espaços nos quais eram montadas aquelas delicadas estruturas viraram concreto. Mesmo assim, a barriga do circo insiste em persistir. Às vezes, topamos no meio do caminho com um circo de lona num terreno vazio. São como cogumelos que surgem depois da chuva, aparecem montados e iluminados da noite para o dia.

Essas lonas coloridas surgindo nos espaços vazios das cidades nada mais são que os sinais aparentes da resistência à desmedida ocupação imobiliária de nossas cidades. Formam um eloquente sinal de que, ali onde tem um circo --um acontecimento de arte e alegria--, está a luta dos que pensam em produzir a melhor e mais apaixonada ocupação dos espaços, onde todos vivemos a emaranhada forma humana corrupta da vida.

Não que dispensemos os arranha-céus, os mercados, as lojas de comércio ou desprezemos a necessidade de habitações. Mas como é bom saber que estão lá, alegres e resistentes, essas abóbadas frágeis, que lembram que a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Elas exibem de maneira dramática a situação periclitante do circo e, ao mesmo tempo, seu grande papel de resistente cultural, com sua insistência turrona.

O circo persevera em cobrir com uma lona um vão de terra e fazer brotar ali um mundo em que se manifesta a alegria, a arte, a intrepidez, linha imaginária por onde desfila como um funâmbulo a exibir sua coragem --ignorante e iluminado--, na luta contra a força da especulação imobiliária, que ergue e destrói coisas belas.

Sim, era o circo de lona que discutíamos, mas eram também as cidades, as nossas cidades, para as quais é preciso que essa resistência se fortaleça. É necessário agir para que o circo tenha garantido pelo menos um terreno fixo em uma cidade como São Paulo, com um mínimo de infraestrutura, onde ele possa se armar e depois partir, sabendo que virá outro em seu lugar, e depois outro e depois outro.

Por isso saudamos a notícia de que um terreno na marginal Tietê, próximo ao shopping Center Norte, será cedido ao Circo Spacial de fevereiro a maio. Que a nova prefeitura o transforme na permanente Praça do Circo, que tanta falta faz à cidade. E vamos ao circo, porque "hoje tem espetáculo", sim, senhor.

PASCOAL DA CONCEIÇÃO, 59, ator, e EDUARDO CESAR RASCOV, 51, escritor, são diretores da Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1211500-tendenciasdebates-o-circo-de-lona-e-a-resistencia-urbana.shtml

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Inscrição de apresentações artísticas para a Virada Cultural 2013

A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo convoca artistas e grupos que desenvolvam trabalhos artísticos, sejam em palcos, em espaços abertos à circulação pública ou em locais alternativos, a trazerem propostas de apresentações, encenações, performances, demonstrações e exibições para ocupar as ruas, praças, arenas e tablados da cidade durante as 24 horas da Virada Cultural 2013.
A 9ª Virada Cultural ainda não tem data definida. Como sempre, ela se ocorrerá num final de semana sem chuvas e de lua cheia, entre o fim da tarde do sábado e o começo da noite do domingo.
Em caso de dúvida, escreva para inscricoes@viradacultural.org.



Termo de inscrição:
Você ou seu grupo podem inscrever projetos de espetáculos de rua para uma ou mais apresentações durante as 24 horas da Virada Cultural. Os espetáculos, gratuitos para o público, serão selecionados para receberem apoio da Secretaria de Cultura.
Os espetáculos, que podem mobilizar teatro, música, artes circenses e outras disciplinas, devem ser projetados para acontecerem em local público, talvez aberto, e portanto devem prever tipos diversos de interação com o público.
Cada proponente pode se inscrever individualmente ou como representante de um grupo e apresentar um ou mais projetos. O grupo deverá ser representado por apenas uma pessoa.
Pedimos que seja desde logo indicada pelo grupo ou artista a categoria pretendida, bem como que necessariamente se indique o valor de cachê desejável. O valor indicado servirá como indicativo, especialmente para propostas que não contemplem espetáculos completos, conforme oferecido na última edição do evento.
Nem todas as categorias propostas serão necessariamente realizadas, quer por dificuldades estruturais ou institucionais, quer por falta de inscritos. Não há número pré-definido de apresentações ou verba predestinada a categorias específicas, sendo esta uma seleção informal para inclusão segundo a lógica interna do evento e sua direção artística. A predileção desta supervisão por espetáculos de rua se deve ao espírito do evento, compreendido como uma grande festa de apropriação do espaço urbano, interesse para o qual é vital a proveitosa participação dos grupos teatrais e circenses de rua.

Oficina de férias com a família Ver' Arte


Nossa Família Ver'Arte em parceria com a Academia Movimento preparou uma coisa muito gostosa para vocês aproveitarem ainda mais essas férias! 
O negocio é o seguinte, vamos dar uma oficina de férias e todos estão convidados!

As técnicas abordadas: Aéreo e Malabares
As aulas: Praticas
Os dias: segundas e terças (14/1, 16/1, 21/1, 23/1, 28/1, 30/1, 4/2 e 6/2 )
Horário: Crianças (até 12 anos) das 17h30 às 18h30
Adultos das 19h30 às 21h30
valor: Crianças R$ 50,00
Adultos R$ 80,00
Acertar até o primeiro dia de aula.
Preço promocional para quem é da academia ou para as crianças que já fazem circo lá.
Crianças R$ 40,00
Adultos R$ 50,00

Não é preciso ter experiencia com circo, o que precisa mesmo é vontade!

As inscrições podem ser feitas na Academia Movimento ou por in box para um dos administradores.
Vagas limitadas! Bora se inscrever e circear!
















Contato:
 Thiago Cardoso https://www.facebook.com/thiagocardosobr

Erich Sant'Anna  https://www.facebook.com/erichsantana?fref=ts

Mapa: http://goo.gl/maps/8d51g






Academia Movimento Suzano

Rua Francisco de Paula Souza Rosa 74, 08676370 Suzano, Sao Paulo, Brazil
Exibir mapa · Obter orientações

Como tirar o DRT e se cooperar pela Cooperativa Brasileira de Circo


Atenção circenses que queiram tirar DRT ou tornar-se cooperados da Circoop:



RETIRAR DRT-

O valor para se tirar DRT é o de um salário mínimo, R$540,00 .Porém, a Cooperativa Brasileira de Circo possui um convênio com o sindicato e o circense pode vir à sede da Circoop, munido de RG, CPF, comprovante de residência, título de eleitor, currículo, foto 3×4 e CCM (Cadastro de Contribuintes Mobiliários que pode ser retirado na subprefeitura), e retirar uma carta de autorização que garantirá o desconto de 50% para tirar o DRT.

Feito isso, você entregará a carta da Circoop + documentos na Sated. Lá irá assistir à uma palestra de integração e receberá o certificado de participação da palestra. Então, encaminhe este certificado + carteira de trabalho ao Ministério do trabalho (que fica o Centro de São Paulo) e espere o prazo imposto por eles para retirar o DRT.  (Aconselhamos a ligar antes no Sindicato para saber quando ocorre as palestras e assim você pode fazer tudo de uma vez só.)



TORNAR-SE COOPERADO-

Após retirar o seu DRT, ligue na Circoop (            011-38684172       ou             011-38754216      ), ou então envie um email para gestaocoop@circoop.com.br e agende sua integração. Quando vier na data marcada, traga consigo as cópias simples dos seguintes documentos: RG, CPF, PIS (PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – documento adquirido para fins de previdência quando registrado ou NIT- Número de Identificação do Trabalhador – para profissionais autônomos adquirido no site da previdência ou pelo telefone 135), titulo de Eleitor, comprovante de endereço, DRT, CCM ( Cadastro do contribuinte mobiliário – documento adquirido na Prefeitura ou Sub Prefeitura do bairro na hora para fins de comprovação de autônomo), 1 foto 3X4, Curriculo, e o valor de R$ 85,00.

A integração acontece às 2ª e 4ª feiras às 15h (mas é necessário confirmar antes) e dura cerca de 1h e 30min.

Fonte: http://circoop.wordpress.com/como-tirar-drt-e-cooperar-se-a-circoop/

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Família Ver'Arte Circo Teatro


É um grupo de Artistas Circenses que conflui em seus espetáculos as experiências dos participantes de outros seguimentos artísticos além do Circo, como Artes Cênicas, Plásticas, Dança e Musica. Estão sempre em busca do novo, da superação, de uma linguagem que comunique a todos independente da idade ou cultura, pois acreditam que a Arte não requer currículo nem conhecimento para ser apreciada.
Dan, Erich e Thiago.

Atores: Erich Sant'anna, Tiago Cardoso e Daniel.

Captação e produção das imagens:
Francisco Barbosa

Feliz 2013!!

Circolando nossa arte deseja a todos um feliz ano novo que 2013, que seja recheado de alegrias, circo e muita arte.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Centro de Memória do Circo ganha exposição permanente na Galeria Olido

Foi inaugurada na segunda-feira 10 de dezembro, para convidados, a exposição “Hoje Tem Espetáculo!”, com objetos que fazem referência ao mundo do circo. A mostra ocupará o Centro de Memória do Circo, na galeria Olido (região central da cidade de São Paulo). A data de inauguração coincide com o Dia do Palhaço.

A exposição tem caráter permanente, assemelhando-se a um museu, onde os objetos ficarão expostos à visitação. A curadoria é de Verônica Tamaoki, coordenadora do CMC, e os cenários, de autoria da artista Carla Caffé.

São aproximadamente 800 m² de área com um acervo que começou com doações de companhias e de famílias circenses, como os arquivos do Circo Nerino (1913-1964) e do Circo Garcia (1928-2003). Os palhaços Piolin, Picolino, Arrelia, Fuzarca e Torresmo, o mágico Tihany, o acrobata Gaetan Ribola e o empresário Antolin Garcia são algumas das figuras lembradas na exposição, que também documenta técnicas de equilibrismo, malabarismo, acrobacia e ilusionismo.

O acervo é composto de vídeos, áudios e fotos, divididos por temas como “artes do circo”, “destaques” (artistas, famílias e circos), “linha do tempo”, “saberes do circo” e “café dos artistas”. O acervo também conta com uma maquete.

A galeria Olido, situada em frente ao largo do Paissandu, é um local propício para um centro de memória do circo porque foi onde se formou a tradição circense da cidade, afirma a Verônica Tamaoki. Autoridades e figuras do mundo intelectual costumavam frequentar os espetáculos no Paissandu. Ali, nos arredores do largo, também acontece desde o início do século 20 o evento denominado “café dos artistas”, uma reunião de artistas circenses pelos cafés locais.

“O encontro acontece até hoje. Do início do século [20] até o início da década de 1990, chegavam a se reunir por volta de 700 pessoas vindas de todas as partes do Brasil. Hoje são cerca de 30 a 50 pessoas. O encontro é sempre às segundas-feiras, que é a folga da categoria. Com a mudança dos meios de comunicação, muito do que era feito pessoalmente é feito hoje pela internet e pelo celular. Mas é uma classe itinerante, então ter um local de encontro onde se trocam notícias e se fecham contratos é muito importante. Existem ‘cafés dos artistas’ em outras cidades, mas o de São Paulo foi o mais importante”, explica Tamaoki.


Galeria Olido – Centro de Memória do Circo
Av. São João, 473, República, Região central
Tel. 3397-0171.
Qua. a sex.: 10h às 20h. Sáb.: 13h às 20h.
Evento permanente
Classificação: Livre
Valor: GRÁTIS

Fonte: http://circoop.wordpress.com

Dia Do Palhaço!

Palhaço Picoli (Benedito Sbano)
       Dia 10 de dezembro é comemorado o dia do Palhaço, em homenagem aos grandes palhaços do Brasil, entre eles estão Picoli, Arrelia, Picolino, Piolim, Xuxu, Bejamim de Oliveira, Carequinha, Agenor, Padoca e muitos outros que fazem parte da história da arte circense no Brasil.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012



No próximo dia 30 de novembro acontece na faculdade de educação (USP), a Infesta Circus.





quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Circo esta a todo vapor a partir do dia 1 a dia 4 de novembro estará acontecendo o Festival de Circo do Brasil em Recife - PE.
Com muitas atrações nacionais e internacionais.


Fonte:http://www.festivaldecircodobrasil.com.br

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Palhaço como definir um?


O nome “palhaço” surgiu muito antes dos circos moderno.


Palhaço Biribinha.

O palhaço é conhecido por outros nomes também; Clown, Grotesco, Truão, Bobo, Excêntrico, Tony, Augusto, Branco e Jogral, são alguns dos nomes dados a essa personagem louca, que consegue provocar o riso sincero.
Bobo da corte

Excêntrico

Jogral

Truão

A pesquisadora e especialista em arte circenses “Alice Viveiros de Castro” no seu livro “Elogios da Bobagem” publicado em 2005. Ela nos mostra uma forma diferente de ver essa persona, abordando de forma lúdica a magia do riso.
Os palhaços estão presentes em nossas vidas em diversas formas, pode estas em um evento, no teatro ou debaixo de uma lona exercendo como principal função social recolocar o riso em nossa vidas, uma prova disso é o trabalho de profissionais como os Doutores da Alegria que trás a alegria a crianças hospitalizadas e familiares que muitas das vezes Esta desconsoladas com a situação que esta vivendo naquele momento.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O NARIZ DO PALHAÇO




O NARIZ DO PALHAÇO
Por favor,
Homem revoltado
Homem ludibriado
Homem usurpado
Homem ignorante
Homem passivo
Homem covarde,
Deixa este Nariz aí!
Tira este Nariz do rosto!
Este Nariz é do Palhaço.
Faz parte da alma dele.
Não é utensílio de fracos.
Respeite-o.
Quer protestar?
Vai a luta!
Mostra a tua cara não a do Palhaço,
Quer fazer greve?
Mostra a tua cara não a do Palhaço.
Quer reclamar do governo?
Quer reclamar dos bancos?
Quer fazer uma revolução?
Quer mudar o mundo?
Mostra a tua cara não a do Palhaço.
E se conseguires alguma transformação,
Aí sim, o Palhaço te concederá o seu Nariz.
Mas o Palhaço não é esta frouxidão que tu és.
Não te confundas com o nobre Palhaço.
Há muito ele é o condutor da alegria,
Da sensibilidade, da liberdade, da emoção,
Da docilidade e da verdade também!
Ele não se oculta como tu.
Há muito habita o universo mágico da pureza
E por isso é tão sentido pelas crianças.
O Palhaço não é aquele lado teu que foge de medo,
Que não enfrenta a luta nem se expõe.
Tira então este Nariz, Homem!
E mostra a tua própria cara.
Pode ser que teus problemas comecem a ser resolvidos.
E quem sabe um Palhaço sorrirá para ti?
Se fores um lutador de verdade.




Paulo Roberto Drummond



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Doutores da Alegria transformando a realidade hospitalar

Os Doutoras da Alegria

A iniciativa dos Doutores da Alegria em levar o trabalho de artistas profissionais e especializados na arte do palhaço aos hospitais é pioneira no Brasil e sua implantação foi feita pelo ator Wellington Nogueira, inspirado pelo programa que integrou o “Clown Care Unit”, de Nova Iorque, lançado em 1986, pelo ator Michael Christensen.

 

Os números desta trajetória reforçam a ação bem-sucedida: desde 1991, quando a organização foi fundada, os Doutores já visitaram mais de 550 mil crianças e adolescentes hospitalizados, atingindo também cerca de 600 mil familiares e envolvendo mais de 13 mil profissionais de saúde.

 

Essa ideia, então inédita, foi inserida na sociedade brasileira e sua prática vigora hoje em dezesseis hospitais no Brasil.

 

Além disso, inspirou cerca de 200 iniciativas similares em todo país, motivando uma série de parcerias que incluem o Ministério da Saúde e a iniciativa privada.

 

Tudo isso possibilitou outras conquistas importantes, como a criação de um Núcleo de Pesquisa e Formação

próprio – o primeiro entre organizações desta natureza.

 

Oito dos hospitais atendidos pelos Doutores da Alegria ficam em São Paulo, na capital: Hospital

do Campo Limpo, Hospital da Criança, Hospital Santa Marcelina, Instituto da Criança e Instituto de Tratamento do Câncer Infantil do Hospital das Clínicas, Hospital do Mandaqui, Hospital do Grajaú e Hospital Universitário da USP (em fase de experiência); quatro no Rio de Janeiro (RJ): Hospital Pedro Ernesto da UERJ, Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da UFRJ, Hospital Geral de Bonsucesso e Hospital Salgado Filho; quatro em Recife (PE): Hospital Oswaldo Cruz; Hospital da Restauração; Hospital Barão de Lucena e IMIP; e em Belo Horizonte a Santa Casa local e o Hospital das Clínicas da UFMG.

 

Atualmente, os Doutores trabalham ainda pelo cumprimento de novos objetivos.

 

Entre eles, está a ampliação de sua atuação em hospitais da rede pública, a instalação de sedes em outras capitais do país e a busca para se tornar auto-sustentável.

 

Ao mesmo tempo, eles mantêm a premissa de formar novos profissionais e resgatar a identidade do palhaço brasileiro, aproximando-o do público.

 

Neste segmento de atuação, está o projeto “Palhaços em Rede”, um dos novos eixos mais importantes da organização para os próximos anos, por conjugar
expansão e formação em diversos níveis, além da criação de um fórum que discuta ética e qualidade das relações.

 

Doutores da Alegria é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que leva alegria a crianças hospitalizadas através da arte do palhaço (mágica, malabarismo, mímica, improvisação e música).

 

Atualmente, a entidade conta com uma equipe de 21 funcionários e colaboradores nas áreas de pesquisa, formação, gestão, administração e mobilização de 58 artistas profissionais hoje em 18 hospitais.

Desses artistas, 11 participam também da gestão da ONG. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Festival Cenas Curtas 2012

Estão abertas as inscrições para a 12ª edição do festival de Cenas Curtas, que esse ano acontece na cidade de Ribeirão Pires - SP.



Mais informações pelo blog do festival :


o festival acontecerá no mês de setembro. Com oficinas, debates, e cenas de teatro, circo e performance.

Divulguem!! 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nova escola de Circo em SP

Depois de três anos, agora sim São Paulo terá uma nova escola de circo que ficara localizada no Largo do Paiçandu,  região central de SP.
A prefeitura lançou um editar estimado a 35 milhões, para construção. A nova escola de Circo terá o nome do grande Palhaço Brasileiro Piolin, que fez muito sucesso a trinta anos atras. O complexo circense terá 
6,9 mil metros quadrados, arquibancada, museu, camarins e um restaurante.
A sede definitiva do Centro de Memorias do Circo, que funciona desde 2009 na galeria Olindo, localizado no centro da cidade.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Ator.

Um lindo Texto, que tem um grande significado para que quer conhecer à arte de interpretar, escrito pelo saudoso dramaturgo, ator e diretor Plínio Marcos.




O Ator



Por mais que as cruentas e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico o bastante para fazê-lo indiferente às desgraças e alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave no qual ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu em sua vida.


Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade, e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição a que, por desencanto ou medo, se sujeita, e por aí inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.


Os atores têm esse dom. Eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos nos quais não existem defesas. Os atores, eles, e não os diretores e os autores, têm esse dom. Por isso o artista do teatro é o ator.


O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom na medida em que escreve peças que dão margem a grandes interpretações dos atores. Mas, o ator tem que se conscientizar de que é um cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade, e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade de seus personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados, como os hipócritas com seus códigos de ética pretendem.


Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajor solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para a platéia os aleijões da alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor, que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor. Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter – não é o dinheiro, não são os aplausos - é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza. Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica. (1986)



lomadee

Olá seja bem vindo!

A arte esta em nossas vidas, viva a arte intensamente.