segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Links de sites de Arte circenses.

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Revistas – Bases de Dados
Revista El Circense (Argentina) – Digital
Pindorama Circus - Base de Dados (Brasil)
Newton las pelotas! (Argentina)
Kaskade (Alemanha)
Revista da Associação Internacional de Malabaristas (IJA JUGGLE) (USA)
Associação Francesa “Hors les Murs” Revista Arts de la Piste
Juggling Magazine (Itália)
Revista Artez - Artes Cénicas- Espanha
Revista Palco Aberto (Brasil)
Revista Zirkolika -  (Barcelona – Espanha)
CircoStrada (Espanha)
Artes do Circo - Base de dados (Brasil)

Companhias de Circo, Troupes, Grupos, Empresas e Artistas
Brincando de Circo (Americana – SP)
Corpo Mágico (Campinas – SP)
Los Circo Los (Campinas – SP)
Aerius Circo (Campinas – SP)
Gemma Palomar (Espanha – UK) – Especialista em Mastro Chinês
Circo Mundial (Portugal)
Compagnie XY (França)

Escolas e Associações
Centre National des Arts du Cirque – (National Centre of Circus Arts) (França)http://www.cnac.fr
Circo Spacial (Brasil) http://www.spacial.com.br/
Circus Ronaldo (Bélgica) www.circusronaldo.be
Circus Roncalli (Alemanha – Suíça)  http://www.roncalli.de/
Cirque du Soleil (Canadá) www.cirquedusoleil.com
Cirque Plume (França) http://www.cirqueplume.com/
Ecole Nationale Supérieure des Arts du Cirque – Châlons-en-Champagne. Bibliografia.http://www.cnac.fr/media/documents/biblio_selective.pdf
Escola de Circo Carampa (Madrid – Espanha) www.carampa.com
Escola de Circo Rogelio Rivel (Barcelona – Espanha) www.escolacircrr.com
European Circus Association http://www.europeancircus.info/
Fédération européenne des écoles de cirque professionnelles – FEDEChttp://www.fedec.net/
Fundação Nacional de Artes (FUNARTE)  http://www.funarte.gov.br/
National Instituto os Circus Arts (Austrália) – Dicionário http://www.nica.com.au/dictionary
Chapitô (Lisboa – Portugal) 

Malabares
Página sobre malabares e noticias de Circo da América do Sul (Chile)http://www.malabarismochile.cl
Diabolo – Diabolo – Truques http://diabolotricks.com/
Simulador Malabares 3D Jongl (Alemanha) http://www.artofdiabolo.com/
Making your own cigar boxes – by Steve Ragatz http://www.jugglingdb.com/help/?id=75
Todd Strong’s Cigar Box page – Animations of cigar box tricks.http://www.toddstrong.com/page2.htm
DEEP JUGGLING MOVIE page – Loads of mad cigar box tricks half way down the page.http://www2s.biglobe.ne.jp/~sebas/jve.htm


Mágicos
Steve Trash (mágico de rua – EUA)
Luis Matos (ilusionista – Portugal)
Criss Angel (ilusionista – EUA)
David Copperfield (ilusionista – EUA)

Agencias para artistas – produtores
Rising Stars (Austrália)

Grupos de Pesquisa

Circos de lona no Brasil.

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Eles já foram muitos. Hoje, são poucos, cada vez menos. Surgiram  no país em torno da década de 1830, vindos, na sua grande maioria, da Europa. Tiveram várias formas arquitetônicas: pau-a-pique, pau-fincado, pavilhão, pano-de-roda e,  finalmente, americano. Levavam também o seu circo itinerante para os teatros, ruas, praças públicas. E por mais de um século foi o maior espetáculo, quando não único, das terras do Brasil.

 
 
Eles são muitos, cada vez mais.  Surgiram no início da década de 1980, vindos, na sua maioria, das escolas de circo.  São intrépidos, parlapatões, mínimos, aéreos, navegadores, psicodélicos, notáveis e anônimos. 
 
 

Circos de Rua

 
Quem observar mais atentamente a cena circense atual, há de notar que o melhor de sua produção bebeu da fonte do teatro/circo de rua.
Que segredos contém esta fonte? Também não sabemos. Vamos tentar descobrir juntos? 


Circo Di Napoli

Circos que estão circulando pelo Brasil 
A relação abaixo foi feita com o objetivo de iniciar a produção coletiva de mapear os circos existentes no Brasil. Como foi construída a partir de fontes de diversas origens, é possível conter dados incorretos. Como também é possível que alguns circos já não existam mais ou tenham trocado de nome. Portanto, serão bem vindas informações que venham a corrigi-la ou completá-la. 
Participe, colabore!
 O mapeamento dos circos brasileiros só poderá ser concretizado através de um trabalho coletivo.

African Circo Claudinei Ferreira de Oliveira
Circo Agnus Dei
Shirley (Campinas)
Circo Ayres
Marcos Senna Junior
Circo Astley 
Isidoro Ramos de Oliveira Filho
American Circo Alves e Alves Prod. Art. Ltda.
Circo American CountryDionísio Paschoal Pinto Ferreira
Circo Art Brasil
Sheila
Circo Babilonia
Circo do Batata
O Mundo Mágico de Beto Carrero
Unidade I

Unidade II
 
Unidade III

Unidade IV 
 
Unidade V 
Big Star Circus
Luiz Nunes

Billy Barnun Circus
Welligton Gregório Nogueira

Circo Borboleta
Jesus Mario Teixeira

Circo Bremmer
Circo Broadway
Ronaldo Ramos de Abreu Jr. 
circobroadwayronaldo@bol.com.br
Circo Cerícola
Circo Irmãos BarelliMarcos Barelli
Circo do Chiquinho
Circo Coliseu de Roma
Luis Carlos Augusto (Taio)
Circo Continental
Antonio Pereira da França Filho
Circo das Estrelas
 Alberto Fernandes
Circo Dioni
Dionísio Rombi
Circo D’Vernon
Laudecir Jorge Lemos Silva
Circo Estoríl
Roberto Carvalho Portugal e Luzdalma Portugal. 
luzdalmaportugal@bol.com.br
Circo do Fuxiquinho
Alexsander “Fuxiquinho” / Horácio Campello
www.circodofuxiquinho.com.br
Circo Hong Kong
Circo Irmãos Guiner
David Guiner
Circo Irmãos Mello 
Raul Mello
Circo Irmãos Powerwww.irmaospower.com.br
Circo Joia
Kebék Circus
Danilo Renato Carduchi
Circo Koslov
Circo Kroner
Circo Le Cirque 
George Stevanovich
London Circo
Magic Circus
Mário Aires
Circo Mágico EuropeuCelso Alves
Circo Mágico Lins
Rui Edson Lins
Circo Mágico Nacional
Antonio Bartholo
Circo Mágico dos Palhaços 
Valdete Everaldo Mendes
Circo do Mário Lúcio
Mário Lúcio de Moraes
Circo Miami
Átila Cezar Luiz Pena 
atilacircus@hotmail.com
Montreal Circus
Anderson Vieira Dantas
Circo Mundial
Nivaldo Pereira da Silva
Circo Di Monza
Paulo Ricardo da Silva 
circodimonza@ig.com.br
Circo Di Nápoli
O mundo mágico de Beto Pinheiro

www.circodinapoli.com.br

Circo Nova Jersey ou Circo do BiribaNeusa
Palace Circus
Claudinei Laurindo Siqueira
Circo Panamericano
 Maria Blask Mello
Circo Portugal
Wagner Wanderley Portugal
Circo Popular do Brasil - Circo Marcos Frota
Real Argentino Circus I
Tony Argentino 
valinfoncp@ig.com.br
Real Argentino Circus II
Mário Veschi 
realargentinocircus@yahoo.com.br
Circo Real de EspanhaFernandes Prod. Art. Ltda
Circo Real de Paris
Circo Real Madri Alex Ferreira (Fofinho)
Circo Real Moscou Dalva Neves
Circo Real Show
Nicolas Jean Condoyannis (King)
Circo Robattini
Luiz Henrique Carmo Robatini
Circo Rodeio Hermanos Rodriguez
Benilso Americano de Carvalho
www.hermanosrodriguez.com.br
Romer Circus 
Romerito (Pindorama)
Circo da RússiaFamília Stevanowich
Circo Di Salles Maria Aparecida Camargo
Circo Sarrazany
Circo SpacialMarlene O. Querubimwww.spacial.com.br
Circo Spanic
Edson Portugal
Circo Stankowichwww.stankowich.com.br
Circo Di Tari
Circo Teatro Biriba
Geraldo Santos Passos www.teatrobiriba.com.br
Circo Teatro Mambembe
José Ricardo de Almeida
Circo Teatro Pisca Pisca
Gilson Marcos Pereira de Oliveira 

cesio@onda.com.br
Circo Torricceli
Jaime B. C. Zanquettin 
circotorricceli@hotmail.com
Circo Três Poderes
Circo do Topetão
Circo Talismã
Oseas Cardoso
Circo Torricceli
Circo Três Poderes
Piraja Bastos Junior
Circo Vitória
José Antônio
esferametalica@ig.com.br
Circo Vox
Paulo Celso Cerello Pereira Filho
www.circovox.com.br
Circo Windsor - Circo do Baixo
Jovaldo Luiz Barbosa
Circo Zanni
Domingos Montagner Filho e Fernando Sampaio
www.laminima.com.br
Circo Zanquettini
Wanda Cabral Zanquettini, Edlamar e Erineide

circozanquettini@yahoo.com.br

Texto: Pindorama Circus

Benjamim de Oliveira

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A frase é conhecida: o Brasil não tem memória. Quando se trata dos negros a amnésia é enorme. Vou citar um caso: Benjamim de Oliveira, um dos pioneiros na arte circense da interpretação de palhaço ator, cantor, instrumentista e compositor, nasceu em Pará (atual Pará de Minas) MG em 1870, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 3/5/1954. Abandonou o lar ainda menor de idade e juntou-se à troupe do Circo Sotero, atuando em números de trapézio e de acrobacia. Estreou como palhaço no circo de Frutuoso Pereira (Rua João Alfredo, Várzea do Carmo, São Paulo SP), por volta de 1889. As primeiras apresentações foram vaiadas. Depois de trabalhar em vários circos, adquiriu experiência bastante para atuar como palhaço do Circo Caçamba, então armado na Praça da República, São Paulo.Aí trabalhou aproximadamente três anos, e, em 1893, obteve o lugar de palhaço principal do Circo Spinelli, famoso na época, no qual encenou quadros cômicos extraídos de operetas e peças burlescas. Na Semana Santa, representou o papel de Cristo, com o rosto pintado de branco, uma vez que era negro. O sucesso dessa idéia de conjugar teatro com circo abriu caminho para a popularização de clássicos, como Otelo, de William Shakespeare (1564-1616), e A Viúva alegre, de Franz Lehár (1870-1948), em que reservava para si os principais papéis masculinos. Nos entreatos cantava lundus, chulas e modinhas, especialmente de seu amigo Catulo da Paixão Cearense, acompanhando-se ao violão. Deixou gravadas algumas músicas na Columbia, por volta de 1910, como o monólogo Caipira mineiro, os lundus As comparações e O baiano na rocha, este em duo com Mário Pinheiro.


Texto : Marco Antonio dos Santos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Circo Zanni

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Video entrevista com Roger Avanzi, "Picolino ll".

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

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27 de Março


Comemora-se o Dia do Circo em 27 de março, numa homenagem ao palhaço brasileiro Piolin, que nasceu nessa data, no ano de 1897, na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.
Considerado por todos que o assistiram como um grande palhaço, se destacava pela enorme criatividade cômica e pela habilidade como ginasta e equilibrista. Seus contemporâneos diziam que ele era o pai de todos os que, de cara pintada e colarinho alto, sabiam fazer o povo rir.

COMO SURGIU O CIRCO

É praticamente impossível determinar uma data específica de quando ou como as práticas circenses começaram. Mas pode-se apostar que elas se iniciaram na China, onde foram encontradas pinturas de 5 000 anos, com figuras de acrobatas, contorcionistas e equilibristas. Esses movimentos faziam parte dos exercícios de treinamento dos guerreiros e, aos poucos, a esses movimentos foram acrescentadas a graça e a harmonia.
Conta-se ainda que no ano 108 a.C aconteceu uma enorme celebração para dar as boas-vindas a estrangeiros recém-chegados em terras chinesas. Na festa, houve demonstrações geniais de acrobacias. A partir de então, o imperador ordenou que sempre se realizassem eventos dessa ordem. Uma vez ao ano, pelo menos.
Também no Egito, há registros de pinturas de malabaristas. Na Índia, o contorcionismo e o salto são parte integrante dos espetáculos sagrados. Na Grécia, a contorção era uma modalidade olímpica, enquanto os sátiros já faziam o povo rir, numa espécie de precursão aos palhaços.

NO PALCO DA HISTÓRIA

Por volta do ano 70 a.C, surgiu o Circo Máximo de Roma, que um incêndio destruiu totalmente, causando grande comoção. Tempos depois, no ano 40 a.C, construíram no mesmo lugar o Coliseu, com capacidade para 87 mil pessoas. No local, havia apresentações de engolidores de fogo, gladiadores e espécies exóticas de animais.
Com a perseguição aos seguidores de Cristo, entre os anos 54 e 68 d.C, esses lugares passaram a ser usados para demonstrações de força: os cristãos eram lançados aos leões, para serem devorados diante do público.
Os artistas procuraram, então, as praças, feiras ou entradas de igrejas para apresentarem às pessoas seus malabarismos e mágicas.
Ainda na Europa do século XVIII, grupos de saltimbancos se exibiam na França, Espanha, Inglaterra, mostrando suas habilidades em simulações de combates e na equitação.

O CIRCO MODERNO

A estrutura do circo como o conhecemos hoje teve sua origem em Londres, na Inglaterra. Trata-se do Astley's Amphitheatre, inaugurado em 1770, pelo oficial inglês da Cavalaria Britânica, Philip Astley.
O anfiteatro tinha um picadeiro com uma arquibancada próxima e sua atração principal era um espetáculo com cavalos. O oficial percebeu, no entanto, que só aquela atração de cunho militar não segurava o público e passou a incrementá-la com saltimbancos, equilibristas e palhaços.
O palhaço do lugar era um soldado, que entrava montado ao contrário e fazia mil peripécias. O sucesso foi tanto, que adaptaram novas situações.
Era o próprio oficial Astley quem apresentava o show, vindo daí a figura do mestre de cerimônias

QUANDO O CIRCO CHEGOU AO BRASIL

No Brasil, a história do circo está muito ligada à trajetória dos ciganos em nossa terra, uma vez que, na Europa do século dezoito, eles eram perseguidos. Aqui, andando de cidade em cidade e mais à vontade em suas tendas, aproveitavam as festas religiosas para exibirem sua destreza com os cavalos e seu talento ilusionista.
Procuravam adaptar suas apresentações ao gosto do público de cada localidade e o que não agradava era imediatamente tirado do programa.
Mas o circo com suas características itinerantes aparece no Brasil no final do século XIX. Instalando-se nas periferias das cidades, visava às classes populares e tinha no palhaço o seu principal personagem. Do sucesso dessa figura dependia, geralmente, o sucesso do circo.
O palhaço brasileiro, por sua vez, adquiriu características próprias. Ao contrário do europeu, que se comunicava mais pela mímica, o brasileiro era falante, malandro, conquistador e possuía dons musicais: cantava ou tocava instrumentos.

CIRCO CONTEMPORÂNEO

Circo contemporâneo é o que se aprende na escola. Fenômeno conseqüente das mudanças de valores na sociedade e suas novas necessidades. Grande parte dos profissionais do circo mandaram seus filhos para a universidade, fazendo com que as novas gerações da lona trabalhem mais na administração.
Em fins dos anos 70, começam a aparecer as primeiras escolas de circo, no mundo inteiro. Na França, a primeira a surgir foi a Escola Nacional de Circo Annie Fratellini, em 1979, com o apoio do governo francês.
No Canadá, artistas performáticos têm aulas com ginastas e, em 1981, é criada uma escola de circo para atender à necessidade desses novos acrobatas.
Interessante lembrarmos, no entanto, que essa importância que o circo assume no mundo capitalista já era cultivada na ex-URSS, desde a década de 20. Data de 1921 a criação de uma escola de circo na União Soviética, que coloca o circo no patamar de arte, com inovação dos temas e das formas de apresentação.

ESCOLAS E GRUPOS BRASILEIROS

No Brasil, a primeira escola de circo foi criada em São Paulo, em 1977, com o nome de Piolin (que é também o nome de um grande palhaço brasileiro). Funcionava no estádio do Pacaembu.
No Rio de Janeiro, surge em 1982 a Escola Nacional de Circo, abrindo oportunidades para jovens de todas as classes e vindos de diferentes regiões do país. Eles aprendem as novas técnicas circenses e, uma vez formados, montam seus próprios grupos ou vão trabalhar no exterior.
São muitos os grupos espalhados pelo Brasil afora. Citamos a Intrépida Trupe, os Acrobáticos Fratelli e a Nau de Ícaros.

NOSSOS PALHAÇOS

Carequinha, "o palhaço mais conhecido do Brasil" - ele mesmo se intitula assim - diz que os melhores palhaços que ele conheceu na vida foram Piolin, Arrelia e Chicarrão. Essa notoriedade de George Savalla Gomes, seu verdadeiro nome, se deve muito à TV. Comandou programas de televisão, gravou vários discos, e soube tirar dessa mídia o melhor proveito. A TV, para ele, não acabou nem vai acabar nunca com o circo. Segundo Carequinha, o circo é imortal.
"Sou contra circo que tem animais. Não gosto. O circo comum, sem animais, agrada muito mais."
Carequinha
Denominado o "Rei dos Palhaços", o senhor Abelardo Pinto morreu em 1973 e era conhecido no meio circense e no Brasil como o palhaço Piolin (era magro feito um barbante e daí a origem do apelido). Como Carequinha, Piolin trabalhou em circo desde sempre. Admirado pela intelectualidade brasileira, participou ativamente de vários movimentos artísticos, entre eles, a Semana de Arte Moderna de 1922.
"O circo não tem futuro, mas nós, ligados a ele, temos que batalhar para essa instituição não perecer"
Frase dita por Piolin, pouco antes de morrer

Dia de comemoração do circo

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Dia 27 de março e comemorado o dia do circo em homenagem a um dos maiores palhaços que o Brasil já teve.
Grande Palhaço Piolim.

Um breve relato sobre a vida de Abelardo Pinto: “Mestre Piolim”.
Abelardo Pinto, o famoso Palhaço Piolim. Nasceu em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo em 27 de março de 1897. Abelardo Pinto viveu sua infância dentro do circo, envolvido nas mais diferentes atividades. Seu treinamento teve início desde muito cedo, e aprendeu as modalidades de ciclista, saltador, casaca de ferro, acrobata e contorcionista, tendo se destacado nesta última enquanto criança. Aos oitos anos de idade apresentava-se no circo de seu pai como “o menor contorcionista do mundo”. Mesmo obtendo sucesso, o menino Abelardo não gostava de suas exibições, como revela mais tarde em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som: “Com oito anos fazia um contorcionismo primário, que só criança pode fazer”.
Em entrevista dada ao Jornal Folha de São Paulo em 1957, diz:
“Não fui como os outros meninos, que entravam no circo por baixo do pano. Nasci dentro dele e levava uma vida que causava inveja aos outros garotos. Eu, do meu lado, tinha inveja deles. Eles tinham uma casa, tinham seus brinquedos comuns e podiam ir diariamente à escola. Eu começava a freqüentar um colégio e o circo se transferia. Lá ficava eu sem escola”.
Revela ainda ao mesmo jornal que seu sonho era ser engenheiro, queria construir casas, pontes, estradas e castelos. Construiu apenas castelos de sonhos de muita gente. “Sou, de qualquer maneira, um engenheiro e estou feliz com isso.”
O circo Americano estava sem seu principal numero: o palhaço havia ido embora. Então. O Sr. Galdino Pinto foi a São Paulo com o intuito de tentar conseguir um substituto. O filho Abelardo, diante dessa situação, resolveu assumir a profissão de palhaço e sobre essa decisão revela mais tarde – “Pensei: se ele fez, eu também posso fazer palhaçadas”.
A partir deste momento, o Circo Americano adquire um artista que seria, mais tarde, aclamado como “O Imperador do Riso”.
O “Palhaço Piolim” – apelido dado por uns artistas espanhóis que, ao verem o pequeno trabalhador Abelardo, diziam que ele parecia um “piolim” (barbante muito fino) – surgiu em 1918. Uma outra versão da história, contada pelo Jornal Folha de São Paulo, diz que o apelido foi devido a um favor que Abelardo fez ao um cômico e músico violinista espanhol que se apresentou com ele em um espetáculo beneficente da Cruz Vermelha: a corda do violino do espanhol quebrou-se em cena e Abelardo correu para o camarim e trocou a corda quebrada, substituindo-a por uma de seu próprio violino.
O espanhol, agradecido olhou para Abelardo e disse que ele se parecia um “piolim” (nome dado às cordas do violino). O menino aceitou o apelido e passou a ser chamado por ele. E seria com este apelido que, mais tarde, seria aclamado como um artista de grande importância na cena circense brasileira.
Circo Irmãos Rocha, que havia convidado o Palhaço Chicharrão para uma temporada, mas o artista estava envolvido com um contrato no Rio de Janeiro e não poderia aceitar o convite. Convidaram então o Piolim, que acabou assumindo o papel do palhaço excêntrico e enfrentando o público paulistano pela primeira vez e com muito sucesso. Em depoimento ao MIS, Piolim diz que Chicharrão foi um mestre para ele.
Uma característica do Mestre Piolim era o bom humor nas suas esquetes, segundo Maria Augusta da Fonseca:
“O ponto alto da verve gestual histriônica dos entremezes brincalhões, parece convergir, no Brasil dos anos 20, para a genialidade do Palhaço Piolim, a quem os modernistas de São Paulo prestigiaram e por quem tinham grande admiração”.
E destaca ainda a importância do circo que, segundo ela, “(...) não se resumia em fatos corriqueiros e de momento, mas se realizava no caráter social e estético, na criatividade e, principalmente, na figura do palhaço criada por Abelardo Pinto – Piolim”.
Na sua visão crítica, a genialidade de Piolim estava também na criação de um tipo psicológico universal e ao mesmo tempo caracteristicamente brasileiro:
“A comicidade de Piolim evoca na gente uma entidade, um ser. E de tanto maior importância social que esta entidade converge para esse tipo psicológico geral e universalmente contemporânea do ser abúlico, do ser sem nenhum caráter predeterminado e fixo, do ser ‘vai na onda’.***
* Maria Augusta da FONSECA. Palhaços da Burguesia. p.31
O cidadão Abelardo Pinto, “Sr. Piolim” revelou na longa caminhada de construção de sua obra, a habilidade autêntica de um comunicador. Em seus textos de cena (piadas), revelava ao público os traços de sua cultura e seus costumes do cotidiano. Satirizava os conceitos sociais impregnados na vida das pessoas. Construía um mundo a sua volta e este mundo percorria caminhos, mesclando-se com idéias dos indivíduos do povo. É notória sua participação no desenvolvimento intelectual e artístico de milhares de crianças e adultos brasileiros. Entre conversas e encontros com pessoas do circo, vislumbramos uma compreensão da história de vida do Palhaço Piolim.
Este mestre utilizava a palavra como veículo de suas idéias. Piolim, pelo seu grande e bom senso de humor, trabalhava os seus roteiros de cena de picadeiro, incorporando piadas baseadas em circunstancias da vida do homem comum. Picardias, envolvendo as características do mundo da infância. Encenava os sofrimentos dos homens, de maneira global, satirizando a máscaras sociais menos favorecidas (mendigos, bêbados, etc).
Piolim trabalhou anos seguidos para concretizar os seus sonhos que sempre estavam baseados nos ideais de sua tradição circense, sempre pensando no repasse destas tradições e métodos para adeptos do circo.
Pelo seu caráter de líder e artista, junto à associação do circo do qual foi um dos incentivadores, instaurou práticas de luta pela manutenção e perpetuação da linguagem circense, chegando a ser exemplo para toda a comunidade circense, através da sistematização de suas técnicas circenses, servindo de parâmetro, até hoje, para novos aprendizes.
A história das artes brasileiras mostra o papel deste homem. A transformação que provocou na época chegou num reconhecimento nacional, quando da Semana da Arte Moderna no Brasil, em 1922.
Mestre em varias modalidades, revelou um talento especial também para a música e, como ator, realizou diversos trabalhos. Neste momento, próximo do ano 2008, é possível ainda vislumbrar os ensinamentos preconizados por ele, nas artes cênicas, nas artes plásticas e nas artes corporais, sem falar de centenas de animadores de lazer cultural de Brasil que elegem traços das características de Piolim como ponto de partida para a busca da linguagem pessoal.
Desde cedo, Piolim já revelava sua capacidade de comunicador social. Foi um seguidor de suas tradições familiares, um incansável ator, sempre repensando junto ao seu público, os valores de sua época.
No ano de 1971, o Sr. Waldemar Seyssel, o Palhaço Arrelia, organizou um evento nacional e internacional*, que teve por objetivo homenagear Piolim com um “colarinho de ouro”. A vida de Piolim foi marcada por inúmeras homenagens, segundo consta nos documentos, assim como em vídeo que se encontram no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e do arquivo do Jornal Folha de São Paulo.
* O evento foi promovido pelo Circo do Arrelia, em conjunto com a Associação dos Artistas de Espetáculos de Diversão de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo.
Piolim teve três filhos de dezesseis netos. Ele sempre dizia que ser palhaço no Brasil não era grande coisa em razão da falta de amparo.
O grande sonho de Piolim foi criar uma escola de circo. Não conseguiu ver seu desejo concretizado. Faleceu no ano de 1973, aos 76 anos. A escola foi aberta em 1978 e levou o seu nome. Quando morreu morava em um velho camarim de madeira, com pintura, roupas, onde passava o dia todo só, recordando épocas passadas no velho circo da Freguesia do Ó, onde durante muitos anos brilhou o Circo Piolim.
A CARACTERIZAÇÃO DO PALHAÇO PIOLIM
Piolim, figura lendária que por mais de cinqüenta anos reinou, com maestria, no “teatro do povo”. Sua caracterização foi sempre a mesma fisionomia, os mesmos traços físicos – vivos e sublimes. Sua indumentária era composta de um jaquetão maior do que o seu tamanho – bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua famosa bengala, que mais parecia um “anzol de pescar submarino”. Piolim, emergido de seu colarinho “impossível”, com a bengala há vinte e cinco anos, pela milésima vez repetia as velhas piadas que divertiram nossa infância. “O Namoro dos Sabiás”, cena tradicional de Piolim, um intérprete genial, sucesso há meio século, conforme acervo do Jornal Folha de São Paulo.
Pode-se dizer que a obra circense que Abelardo Pinto construiu é o seu palhaço. Em diversas pesquisas de campo, ao longo de 14 anos, nos deparamos com a figura de Piolim sendo interpretada por diversos animadores culturais. O lazer foi uma das fontes por nós, eleita para pesquisar as técnicas por ele preconizadas.
Texto é parte integrante de um projeto de pesquisa desenvolvido em 1997 por Luiz Rodrigues Monteiro Júnior sobre a história dos palhaços brasileiros, e publicado pelo DACH – Departamento de Artes e Ciências Humanas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

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Olá seja bem vindo!

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