sexta-feira, 18 de março de 2011

Mestre Piolin

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Palhaço Piolin

 Seu pai Galdino Pinto, circense brasileiro, nasceu no interior do estado de São Paulo, de pais fazendeiros. Estudou na cidade de Rezende no Rio de Janeiro, e foi nesta cidade, durante um espetáculo circense que assistiu, que se apaixonou por uma atriz. O resultado é que acabou por ir embora com o circo, tornando-se mais tarde ele próprio um homem de circo. Tornou-se proprietário do Circo Americano, onde teve início sua dinastia.
A dinastia Galdino Pinto tem como seu membro mais ilustre seu filho Abelardo Pinto, o famoso Palhaço Piolim. Nasceu em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo em 27 de março de 1897.
Abelardo Pinto viveu sua infância dentro do circo, envolvido nas mais diferentes atividades. Seu treinamento teve início desde muito cedo, e aprendeu as modalidades de ciclista, saltador, casaca de ferro, acrobata e contorcionista, tendo se destacado nesta última enquanto criança. Aos oitos anos de idade apresentava-se no circo de seu pai como “o menor contorcionista do mundo”. Mesmo obtendo sucesso, o menino Abelardo não gostava de suas exibições, como revela mais tarde em seu depoimento ao Museu da Imagem  e do Som: “Com oito anos fazia um contorcionismo primário, que só criança pode fazer”.
Em entrevista dada ao Jornal Folha de São Paulo em 1957, diz:
Não fui como os outros meninos, que entravam no circo por baixo do pano. Nasci dentro dele e levava uma vida que causava inveja aos outros garotos. Eu, do meu lado, tinha inveja deles. Eles tinham uma casa, tinham seus brinquedos comuns e podiam ir diariamente à escola. Eu começava a freqüentar um colégio e o circo se transferia. Lá ficava eu sem escola”.*
Revela ainda ao mesmo jornal que seu sonho era ser engenheiro, queria construir casas, pontes, estradas e castelos. Construiu apenas castelos de sonhos de muita gente. “Sou, de qualquer maneira, um engenheiro e estou feliz com isso.”**

           O circo Americano estava sem seu principal numero: o palhaço havia ido embora. Então. O Sr. Galdino Pinto foi a São Paulo com o intuito de tentar conseguir um substituto. O filho Abelardo, diante dessa situação, resolveu assumir a profissão de palhaço e sobre essa decisão revela mais tarde – “Pensei: se ele fez, eu também posso fazer palhaçadas”.***
A partir deste momento, o Circo Americano adquire um artista que seria, mais tarde, aclamado como “O Imperador do Riso”.
O “Palhaço Piolim” – apelido dado por uns artistas espanhóis que, ao verem o pequeno trabalhador Abelardo, diziam que ele parecia um “piolim” (barbante muito fino) – surgiu em 1918. Uma outra versão da história, contada pelo Jornal Folha de São Paulo, diz que o apelido foi devido a um favor que Abelardo fez ao um cômico e músico violinista espanhol que se apresentou com ele em um espetáculo beneficente da Cruz Vermelha: a corda do violino do espanhol quebrou-se em cena e Abelardo correu para o camarim e trocou a corda quebrada, substituindo-a por uma de seu próprio violino.
* Jornal Folha de São Paulo, 1957.
       ** op. cit.
       *** Depoimento ao MIS, 1970.
O espanhol, agradecido olhou para Abelardo e disse que ele se parecia um “piolim” (nome dado às cordas do violino). O menino aceitou o apelido e passou a ser chamado por ele.  E seria com este apelido que, mais tarde, seria aclamado como um artista de grande importância na cena circense brasileira.
Circo Irmãos Rocha, que havia convidado o Palhaço Chicharrão para uma temporada, mas o artista estava envolvido com um contrato no Rio de Janeiro e não poderia aceitar o convite. Convidaram então o Piolim, que acabou assumindo o papel do palhaço excêntrico e enfrentando o público paulistano pela primeira vez e com muito sucesso. Em depoimento ao MIS, Piolim diz que Chicharrão foi um mestre para ele.
Uma característica do Mestre Piolim era o bom humor nas suas esquetes, segundo Maria Augusta da Fonseca:
“O ponto alto da verve gestual histriônica dos entremezes brincalhões, parece convergir, no Brasil dos anos 20, para a genialidade do Palhaço Piolim, a quem os modernistas de São Paulo prestigiaram e por quem tinham grande admiração”.*
E destaca ainda a importância do circo que, segundo ela,

Abelardo Pinto

“(...) não se resumia em fatos corriqueiros e de momento, mas se realizava no caráter social e estético, na criatividade e, principalmente, na figura do palhaço criada por Abelardo Pinto – Piolim”. **
Na sua visão crítica, a genialidade de Piolim estava também na criação de um tipo psicológico universal e ao mesmo tempo caracteristicamente brasileiro:
“A comicidade de Piolim evoca na gente uma entidade, um ser. E de tanto maior importância social que esta entidade converge para esse tipo psicológico geral e universalmente contemporânea do ser abúlico, do ser sem nenhum caráter predeterminado e fixo, do ser ‘vai na onda’.***

O grande sonho de Piolim foi criar uma escola de circo. Não conseguiu ver seu desejo concretizado. Faleceu no ano de 1973, aos 76 anos. A escola foi aberta em 1978 e levou o seu nome. Quando morreu morava em um velho camarim de madeira, com pintura, roupas, onde passava o dia todo só, recordando épocas passadas no velho circo da Freguesia do Ó, onde durante muitos anos brilhou o Circo Piolim.
A CARACTERIZAÇÃO DO PALHAÇO PIOLIM
Piolim, figura lendária que por mais de cinqüenta anos reinou, com maestria, no “teatro do povo”. Sua caracterização foi sempre a mesma fisionomia, os mesmos traços físicos – vivos e sublimes. Sua indumentária era composta de um jaquetão maior do que o seu tamanho – bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua famosa bengala, que mais parecia um “anzol de pescar submarino”. Piolim, emergido de seu colarinho “impossível”, com a bengala há vinte e cinco anos, pela milésima vez repetia as velhas piadas que divertiram nossa infância. “O Namoro dos Sabiás”, cena tradicional de Piolim, um intérprete genial, sucesso há meio século, conforme acervo do Jornal Folha de São Paulo.
Pode-se dizer que a obra circense que Abelardo Pinto construiu é o seu palhaço. Em diversas pesquisas de campo, ao longo de 14 anos, nos deparamos com a figura de Piolim sendo interpretada por diversos animadores culturais. O lazer foi uma das fontes por nós, eleita para pesquisar as técnicas por ele preconizadas.
Piolim através de sua obra atingiu várias esferas do povo brasileiro: o campo da linguagem cênica, da alfabetização escolar, da televisão brasileira, da diversão para a terceira idade, dos arte-educadores atuantes na área de lazer esportivo.


Fonte: www.iar.unicamp.br/docentes/.../piolim.htm

quinta-feira, 17 de março de 2011

José Carlos Queirolo – Palhaço Chicharrão

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Em 1900, um grupo de artistas argentinos, entre eles a Família Queirolo, de origem espanhola, foi convidado para uma temporada em Paris – França, mas chegando em Barcelona, o empresário sumiu com o capital dos artistas. Resolveram fixar-se na Europa. O circo na América do Sul estava engatinhando. Percorreram a Europa e fixaram um período em Paris. Ficaram famosos com seus números de acrobacias e pirâmides humanas, realizando apresentações nos melhores e mais destacados circos europeus. A trupe apresentou-se no Nouveau Cirque de Paris, no Moulin Rouge e Folis Bergeré, ficando 10 anos em Paris. Em suas viagens pelo  mundo, passaram em Moscou, no Salamonski e em Berlim, no Circo Albert Schuman, no Teatro Wintergarde.
No início da I Guerra, foram para os Estados Unidos e apresentaram-se no Hipódromo de Nova Iorque, no Circo Barnum And Bayle e Rigling Brothers e foram para São Francisco , depois voltaram para a Argentina. Em Buenos Aires, fundaram o Circo Irmãos Queirolo e viajaram para o Chile, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Palhaço Chicharrão
A estirpe dos Queirolo chegou ao Brasil em 1910 em Sant’Ana do Livramento – RS. Seu líder foi José Queirolo, que aqui chegou precedido de fama internacional. Seu filho foi o famoso Palhaço Chicharrão e seu neto, o Palhaço Torresmo. Os irmãos Queirolo foram famosos acrobatas. A história deles e de José Carlos Queirolo – Palhaço Chicharrão, nascido em 1889 em Bagé – RS, começou em Gênova, na Itália. O avô era açougueiro e, diante de problemas com Garibaldi, que proclamava a República, emigrou com seus três filhos – Antonio, José e Júlio para a Argentina. Foi ali que um deles, José, começou a trabalhar no circo, fazendo papéis dramáticos ao lado de Petra, com quem se casou logo em seguida. Os dois faziam uma bela dupla: ele com uma voz de barítono e ela contralto, diálogo que fazia o público vibrar com as operetas. Tiveram sete filhos: Francisco, Alcides, Irmã, José Carlos, Ainda, Julião, Otelo e Ricardo. Alguns nasceram na Argentina, outros no Uruguai, só Chicharrão era brasileiro. Seus pais tinham um circo e se apresentavam na fronteira, naquela cidade em que um lado da rua é Brasil – a cidade de Livramento e do outro é Uruguai – a cidade de Rivera. O circo estava montado do lado Uruguaio e seus pais se hospedavam no lado do Brasil, por isso, ele é brasileiro. Batizado no Uruguai e viveu sua infância na Argentina.
O Circo “Irmãos Queirolo” caminhou todo o Brasil, passando pelas capitais e pelo interior. Sua história no Brasil teve momentos que marcaram milhões de brasileiros. O circo iniciou pela capital federal, que na época era a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro; na Praça Sanz Pena, na noite de 14 de janeiro de 1917, houve a primeira função do Circo Queirolo, que foi um marco na historia do circo no Brasil. A família Queirolo teve como membros de maior destaque, os seguintes artistas:
·   Palhaço Chic-Chic (Otelo Queirolo)
·   Palhaço Harrys (Julio Queirolo)
·   Palhaço Chicharrão (Jose Carlos Queirolo)
·   Palhaço Torresmo (Brasil Jose Carlos Queirolo).
O circo “Irmãos Queirolo” dividiu-se e cada um dos irmãos segui seu caminho. Ao seu modo, cada um preconizou a famosa tradição circense da Família Queirolo, que estes mestres apresentavam para o povo brasileiro.
Jose Carlos Queirolo – Palhaço Chicharrão – através de seus estudos, preconizou a figura do Palhaço Excêntrico no cenário circense nacional. Segundo registros do acervo histórico do Jornal Folha de São Paulo, o mestre Chicharrão foi o primeiro palhaço brasileiro a apresentar um estudo técnico deste personagem no mundo das artes, precisamente em São Paulo no ano de 1927. Tornou-se, pois, mestre e líder. Realizou durante longos anos suas pesquisas sobre o palhaço e o riso proveniente das fantasias do publico. Através de Jose Carlos Queirolo, os artistas circenses puderam idealizar suas pesquisas sobre este estilo de representação cômica, calcada no grotesco. Os Queirolo realizaram um árduo trabalho para colocarem em pratica os seus ensinamentos.
O Sr. José Carlos Queirolo – Palhaço Chicharrão – falece em 28 de janeiro de 1982, aos 93 anos de idade na cidade de São Paulo.
Caracterização do Palhaço Chicharrão
Sua indumentária era composta de um jaquetão maior do que o seu tamanho - bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua desproporcional bengala que o acompanhou durante anos. Usava chapéu coco preto. Sua maquiagem expressava a alegria do picadeiro.
Em seu trabalho de picadeiro representou, entre outras peças, as que seguem: O Morto que não Morreu, Casa de Doido,  Aprendiz de Sapateiro e Casa do Fantasma.
Entre os números musicais que realizou, apresentava-se sempre com seu famoso carrinho de madeira chamado "A barata sorumbática", que era puxado por um cachorro que era atraído por um osso enorme, colocado estrategicamente no capô. Era como se o cachorro corresse atrás do osso, movimentando o carro.

Fonte: Circonteúdo.

Palhaço Torresmo

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Torresmo

Nasceu em Espírito Santo do Pinhal, no dia 04 de abril de 1918, quando o circo Irmãos Queirolo, de propriedade de seu pai e tios, itinerava pelo o interior do Estado de São Paulo. Filho único de Jose Carlos Queirolo, Palhaço Chicharrão e de Dona Graciana Cassano Queirolo, atriz. Ele uruguaio e ela Argentina. Desde a mais tenra idade (3 anos), tomou parte nos atos de seu pai, com o  nome de Chicharrãozinho, a sua infância e adolescência estudou, inicialmente no colégio Caetano de Campos e depois no Colégio Ginásio Ipiranga. Juntamente com seu pai e sua mãe, excursionou por todo o Brasil e alguns países estrangeiros.
Foi cantor de tangos e melodias mexicanas, compositor e poeta. Após formar-se em 1938, seguiu com seus pais para excursionarem com o “Circo Cine Mundial”, uma mistura de circo e cinema, pelo o Estado de São Paulo, permanecendo nessa excursão por 10 anos.
Torresmo toca saxofone, marimba, violino. “Eu sou um artista de verdade e hoje ninguém quer pagar artistas de verdade. Mas as crianças gostam de nós, dos verdadeiros palhaços. A cada risada delas, quando me vêem, tenho certeza disso”.*
* Jornal Folha de São Paulo. 1975
 Aos domingos, ele sempre repete a mesma frase: “Assim não agüento” e a criançada grita: “Guentaaaaá”.
Torresmo foi um bebê bonito e rechonchudo, cantava tangos lindamente aos 7 anos, e tem, aos 69 anos, a disposição de 50 anos. Foi equilibrista, trapezista, malabarista, aramista e domador de muitos bichos.
Torresmo estreou seu palhaço, em Juiz de Fora, juntamente com seu pai e seu tio, o Palhaço Harres. Torresmo fazia parte de uma cena cômica dos dois; dentro do roteiro, tinha uma mala e os dois falavam de pegar a mala, daí surgia um palhaço bravo de dentro da mala. Era o Torresmo, com os olhos azuis e corpo esbelto. Antes de ser Torresmo, foi Bombonzinho, Berimbau, Fubeca e Catatau.
Torresmo, afirma ser uma pessoa bem-humorada e que pretende chegar até o ano 2000. Vaidoso, confessa que já pensou em dar uma retocada no rosto, mas o filho Pururuca, não gostou da idéia. Esta casado há 43 anos com Otília. Além de Pururuca, tem um filha, Gladismary, cinco netos e dois bisnetos. Lembranças têm muitas, mas prefere não viver de recordações. Aos domingos, quando se veste de Torresmo e anima o pequeno circo, montado junto ao restaurante, na Serra da Cantareira, a criançada morre de rir, quase caindo das cadeiras.
Em 1943, o Brasil estava na 2ª Guerra Mundial e eles foram para o Rio de Janeiro, a chamado do Revistógrafo Jardel Jercolis, onde na sua Companhia de Revista, no Teatro Recreio, ocupou o lugar de 1º Ator Cômico. Voltando ao interior de São Paulo, em 1944, casou-se na cidade de Ibirarema, com Otília Piedade, nascendo uma filha Gladismary eum filho: Brasil José Carlos. Foi locutor das rádios de Adamantina e Lucélia, de 1948 a 1949.
Trabalhou no Circo Alcebíades, do pai de Fuzarca, amigo e dupla cômica. Realizou apresentações no circo dos famosos palhaços: Piolim e Arrelia. Entre os circos que se destacou, constam: Norte-Americano e os Irmãos Queirolo, situados na cidade de Curitiba. A Família Queirolo, também marcou época no sul do país, através do famoso Palhaço Chic-Chic, Otelo Queirolo e seus filhos artistas.
Torresmo fixou residência em São Paulo, no bairro de Mandaqui. Em 1950, tendo conhecimento da Tv, acreditou no sucesso desse meio de comunicação. Participou do programa de Luiz Gonzaga, no Cine-Teatro Odeon e foram vistos pelo “olheiro” da TV Tupi, canal 3, no programa do artista Humberto Simões (famoso ventríloquo brasileiro). Humberto  apresentou Torresmo ao diretor Cassiano Gabus Mendes – 1º diretor de TV no Brasil. No dia 12 de outubro de 1950, dia das Crianças, Torresmo estreou no canal 3, TV Tupi Difusora, às 20:00hs, desde então, dedicou-se a programas infantis, na TV brasileira, tendo atuado em todos os canais da TV de São Paulo, nos mais variados programas: Calouros Mepacolan, Gurilândia, com o famoso artista Homero Silva; Zás-Trás, na Globo; Recreio do Torresmo, no canal 2; Torresmolândia, no canal 9, TV Excelsior; Tic-Tac e Pururuca , na TV bandeirantes; Gincana Kibon, na TV Record e muitos outros no período de 1950 a 1964. Aposentou-se da TV e, “agora só faço free-lance e se o cachê interessar”, diz ele. A dupla Torresmo-Fuzarca fez um sucesso na TV brasileira. Através de seus espíritos revolucionários, na figura de seus palhaços, mostraram para o Brasil o circo, suas origens, suas tradições e seus símbolos poéticos.
O Sr. Brasil José Carlos Queirolo – Palhaço Torresmo, foi funcionário da Delegacia do Tesouro Nacional, durante 14 anos. No ano de 1960, decidiu trabalhar somente com a atividade circense. No programa “O Grande Circo”, junto com Pururuca – seu filho, Chupeta, Chupetinha, Pimentinha e outros excêntricos, desenvolveu um trabalho que marcou a presença do circo na televisão brasileira (TV Bandeirantes), no ano de 1973 a 1982. Foi feito um vídeo, lançado em todo o Brasil com grande êxito.
Nos anos de 1983 a 1987, retirou-se para o seu sítio, em Mairiporã, para tratamento de saúde, sendo pequena sua atividade artistica. Nesse período, seu filho abriu um restaurante na Serra da Cantareira.
Torresmo fez diversas atividades para as crianças e adultos, no restaurante do seu filho. Recuperado da enfermidade, voltou para São Paulo e trabalhou no Programa Bombril, da TV Bandeirantes.
Torresmo foi considerado pela Câmara Municipal de São Paulo, como um ser em plena peregrinação artística e recebeu a Medalha Anchieta e um diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. Em 1982, foi-lhe conferido o Título de Pinhalense Emérito, outorgado pela Câmara Municipal do Espírito Santo de Pinhal, onde nasceu.
Torresmo revive, aos domingos, a garotada. Sem pintura no rosto longe das roupas extravagantes e do sapato enorme, ele não é “Torresmo” – “Não consigo fazer palhaçadas, sem estar pintado e vestido, até ando diferente”, comenta.
Albano Pereira, companheiro de palhaçadas de Torresmo, faleceu no ano de 1964. Daí em diante, forma dupla com seu filho, o Brasil José Carlos Queirolo – “Pururuca”, ele com 15 anos de idade.
Possui inúmeros troféus e diplomas de agradecimentos, pelo seu trabalho para a comunidade brasileira e a TV Bandeirantes concedeu-lhe o Troféu Bandeirantes, Torresmo gravou 80 discos infantis e trabalhou 30 anos na TV. No ano de 1993, faleceu o Sr. Brasil José Carlos Queirolo – Palhaço Torresmo, na época tinha 76 anos de idade. Sua história continua viva através de seus filhos e netos.
Em depoimento prestado no 1º Encontro de Artistas Circenses da UNICAMP,  no ano de 1989, Torresmo fala:
Ao pisar pela primeira vez em um picadeiro, aos três anos, logo vi que seria um artista. Fui o primeiro Queirolo a nascer no Brasil, em Espírito Santo do Pinhal. De picadeiro em picadeiro, fui chamado de Fubeca, atuei com muitos palhaços e sempre fui atento as nomenclaturas de cada tipo. No mundo circense, há o palhaço que pinta o rosto de branco e sabe de tudo um pouco. É o Clown – o excêntrico que erra as palavras e faz trapalhadas. O outro é o Tony ou Suarê – este entra no picadeiro somente nos intervalos dos números do circo.
No Brasil, quem introduziu o palhaço tradicional, que usava o sapato grande, o nariz que brilhava e muito mais, além de ter sido o mestre do Palhaço Piolim, foi meu pai Chicharrão.
Graças a Deus, me aposentei bem e consegui com a televisão, o meu nome; o que meu pai  levou 10 anos para fazer, em nome do seu reconhecimento, eu fiz em 1 ano de TV. Pude mostrar a história das famílias circenses voltadas para a alegria.
Antigamente eram os palhaços que chamavam o público, eles eram a atração principal. Os de hoje não sabem nem se pintar sozinhos e se pintam com cara de engraçado, como dizia Fuzarca. Não passam nenhuma emoção para o público. Nós somos a tradição e a memória que o Brasil não tem. Os inovadores não acrescentaram nada (...)”
Com a morte de Fuzarca, em 1964, Torresmo passou a fazer dupla com seu filho, o Palhaço Pururuca e continuou entre o palco e a lona. Ele recordava o passado e guardava suas palhaçadas ou excentricidades, para teatros e residências.
“O picadeiro cansa muito, mas ainda estou preparando minha maquiagem para o ritual de transformação de Brasil Queirolo em Torresmo”.
Torresmo não se arrepende da vida dedicada a circo e vê, eterno, o futuro da lona. De tristeza, apenas de saber, que mesmo com veteranos palhaços, ensinando sua arte a TV pouco aprendeu do picadeiro. “Não me queixo da televisão, que me deu nome, mas ela não aproveitou nada do circo, em troca de efeitos e luzes”.
AS VONTADES DE TORRESMO
Torresmo, artista, segundo ele desde eu nasceu, está começando a transformar em realidade, um velho sonho: “Quero morrer debaixo de uma árvore, vendo as crianças brincarem”.
TORRESMOLANDIA: lugar que inventou, é uma espécie de conto de fadas para a criançada. Construiu uma casa de brinquedo – do seu tamanho: 1,50m e diz que já começou a colecionar bichos. Por enquanto, a Torresmolândia têm dois periquitos, vários canários da terra; mas numa dessas manhãs, amanheceu  fungando e ao por do sol, todos com lágrimas nos olho, participaram de um pequeno funeral.
O velho palhaço continua com a disposição de sempre. Diz que a Torresmolândia será bastante ampliada. Hoje ela já conta com um velho Ford 1915, que está mais novo do que um zero quilometro. No futuro, haverá locomotivas com vagões com altura não superior a 1,50m e no imenso parque que Torresmo imaginou, cada Estado do Brasil estará representado com suas danças, lendas e pratos típicos.
Na Torresmolândia, todos os sábados e domingos, às 15:00hs têm show especial. O importante é que tudo é de graça, fala Torresmo, com um sorriso de orelha à orelha, que deixa muito adulto envergonhado.
Brasil Jose Carlos Queirolo -  Palhaço Torresmo – faleceu em maio de 1992.
CARACTERIZAÇÃO DO PALHAÇO TORRESMO
Uma figura de tamanho excêntrico: 1,50m de altura usava uma casaca de retalhos coloridos e um laço, também colorido, sapatos grandes e um guarda-chuva completamente desmembrado e um sorriso que vai de ponta à ponta do seu rosto. A sua pintura bastante alegre revelava os traços do cômico excêntrico que estava presente na figura do Brasil José Carlos Queirolo e considerava-se um cômico do picadeiro tradicional.

Palhaço Arrelia.

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Arrelia

Waldemar Seyssel

O nome do palhaço Arrelia é Waldemar Seyssel. Família circense, desde que nasceu Waldemar foi de circo. Seus pais e até avós eram de circo. Conta Waldemar que o avô era um conde francês, que um dia se apaixonou por uma moça de circo, e por ela deixou o seu castelo e tudo o mais. Daí a família ficou sempre trabalhando em circo, vindo para as Américas. Arrelia,nome que lhe foi dado por um tio, e que o achava muito travesso, já com um mês entrou em cena, pois precisavam de um garoto chorão. E Arrelia chorava tanto, que aquilo provocou risadas no público. E, já maiorzinho, o garoto “arreliento”, foi aprendendo de tudo: barras, trapézio, paralelas, trampolim. E, quando maior, começou a entrar nas “pantomimas” (peças teatrais) um garoto bonito e alto. Morava sempre em casas alugadas pela família e não debaixo da lona de circo. E a mãe fez questão que ele estudasse. Waldemar Seyssel conseguiu entrar na Faculdade de Direito São Francisco, e se formou advogado. Isso foi uma realização e um orgulho para o pai e a mãe, mas nem por isso Waldemar deixou de ser Arrelia. Já tinha deixado o Circo Chileno, do tio, e formado a Companhia Seyssel. Aí começou a verdadeira ascenssão de Arrelia. Só instalado no Largo da Pólvora, em São Paulo, a Cia. ficou 11 anos. Além de vários outros lugares, e várias outras cidades. Foi quando foi inaugurada a TV Tupi de São Paulo, e Arrelia foi o primeiro palhaço a participar, até mesmo nos programas-teste, que aconteceram no Hospital das Clínicas, em São Paulo em começos de 1950. Criou quadros famosos, como o que aparecia só com uma bengala, e o número fazia delirar os espectadores. Também criou e gravou músicas para o carnaval, e para o folclore nacional, como o “Como vai, como vai, como vai ? ”. Só na TV Record ficou 21 anos, apresentando-se todas as semanas com o “Circo do Arrelia”. Arrelia, seu irmão Henrique, que o acompanhou sempre, e seu sobrinho Pimentinha, que veio depois, colocaram o circo em uma posição de importância, dentro da televisão. E Arrelia se orgulha disso. Assim como se orgulha da família. Nascido em 31 de dezembro de 1905, é casado com Dona Arlete, com quem tem filhos, netos e bisnetos. Já não trabalha mais, mas não perde nunca a oportunidade de fazer graça, criar situações curiosas, engraçadas, vivas, inteligente que é. Exemplo de vida e arte, esse grande palhaço, que é o Dr. Waldemar Seyssel. 

Grande mestre que continua fazendo a alegria do grande publico.

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O MESTRE ROGER AVANZI – PALHAÇO PICOLINO

Roger Avanzi
O Circo Nerino é onde Roger Avanzi vai nascer e onde irá aprender a ser um artista. Seu nascimento data de 7 de novembro de 1922 e, até o fim do circo, em 13 de setembro de 1964, Roger dedica-se a ele integralmente durante 52 anos.
Nerino Avanzi, pai do Roger Avanzi, representa a primeira geração circense da Família Avanzi. Era filho de italianos que vieram ao Brasil em uma companhia de ópera. A avó de Roger veio para o Brasil grávida e excursionou com a companhia pelas principais cidades do país. Na hora de partir de volta à Itália, a criança estava às vésperas do nascimento e o casal, receando os perigos de uma viagem tão longa, decidiram permanecer no Brasil, na cidade de São Paulo. A prefeitura da cidade deu estadia e empregou-os como zeladores do Teatro Polytheana, um teatro todo de zinco no Vale do Anhangabaú. Comenta emocionado, sobre seu pai:
Picolino II

“ eles ficaram morando debaixo do palco e foi ali que meu pai nasceu e ele falava que foi na Itália e nasceu no Brasil, por isso era ‘contrabando’. Ali ele foi crescendo e conhecia muitas óperas, pois as grandes óperas ficavam em cartaz no teatro, só que ele se assustava com os agudos dos grandes cantores”.*
Dez anos após a estréia do circo, nasce Roger Avanzi, na mesma cidade onde seus pais haviam se casado. Roger nasceu no ano da Semana da Arte Moderna, quando Piolim foi homenageado pelos modernistas, como artista popular. Ele concorda que a Semana da Arte Moderna foi importante devido a repercussão que teve, apesar de não estar lá ainda, pois nasceu pouco depois.
Roger estreou no circo em 1923 como bebê de colo, da comédia pastelão. Era uma comédia em que se ficava discutindo de quem era o bebê, e esse era o Roger.
Outro caso fez com que Roger que fazia pontas em dramas, fizesse um papel central; um dos artistas que fazia o papel principal, fugiu do circo. Era época de Natal e ele tinha mais ou menos 14 anos, quando passou a representar papéis de ator, protagonista dos dramas e das comédias de pastelão.
Roger diz que não tinha muito jeito para ser palhaço. Herdou do seu pai a técnica circense que tem hoje, o seu nome.
Nerino, pai de Roger, não gostava muito de teatro e quando criança, já fazia “cirquinho”, à luz de velas roubadas do cemitério. Essas apresentações eram nos grandes jardins das mansões no Anhangabaú. Nessa época tinham muitos circos estrangeiros pela cidade de São Paulo e Nerino terminou saindo com um circo e na sua primeira estréia como palhaço, na cidade de Limeira, ficou envergonhado e saiu correndo. Os estudantes foram atrás dele pelas ruas. Esta é mais uma parte que Roger comenta emocionado.
Iniciado no circo, Nerino começou a fazer muito sucesso como clown de seu irmão Felipe, o Palhaço Maluco que eram a melhor dupla do Brasil, comenta Roger. Nesse sucesso a dupla, mais ou menos em 1910 foi até a Argentina com o circo.
A mãe de Roger era uma francesa da quinta geração circense: ‘Roger é da segunda geração por parte de pai e da sexta geração por parte de mãe’. O circo excursionava pela Europa, quando um acidente matou todos os cavalos; ‘uma época onde era chamado Circo de Cavalinhos’, pois os cavalos faziam parte do espetáculo e também transportavam o circo. Isso fez com que o circo parasse e Armandine, mãe de Roger, que tinha um número muito bom com sua irmã Nerris, começasse uma outra apresentação pelos cassinos de outros países europeus; ‘era um show em que Armandine fazia acrobacias, pendurada pelos cabelos de Nerris’. Vieram para a Argentina na mesma época que o Srº Nerino se encontrava neste país. Ele viu em um cartaz a foto de Armandine e falou que ia se casar com ela, mas nunca poderia ir ao espetáculo, pois trabalhava no mesmo horário do show.
Quando estava no Brasil, o circo excursionou pelo interior de São Paulo; nesta época Armandine estava contratada em um cassino de São Paulo, daí as francesas foram convidadas para participarem no mesmo circo que trabalhava o Srº Nerino. Eles se conhecem e mais tarde se casam em São José do Rio Preto, cidade interior paulista. Nascendo o Roger Avanzi – Palhaço Picolino, hoje ainda atuando como palhaço aos 85 anos de idade, morando na cidade de São Paulo.
*Depoimento colhido pelo pesquisador na casa do Srº Roger Avanzi em 1989.
FISIONOMIA E COMPOSIÇÃO DO PALHAÇO PICOLINO
Seu estilo é bastante tradicional e todo o seu instrumental foi baseado na construção do seu pai -  Palhaço Picolino I: usava casaca grande preta, colarinho grande, calça com suspensório, chapéu coco e sapatos longos.

Este texto é parte integrante de um projeto de pesquisa desenvolvido em 1997 por Luiz Rodrigues Monteiro Júnior sobre a história dos palhaços brasileiros, através de Bolsa de Pesquisa do Prêmio Estímulo "Memória da Atividade Circense no Brasil", e publicado pelo DACH – Departamento de Artes e Ciências Humanas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.



Biografia do Palhaço Carequinha.

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Carequinha


nome de Carequinha era George Savalla. Natural da cidade de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, nasceu em 18 de julho de 1915 e morava em São Gonçalo, também no estado do Rio.
Ele iniciou sua carreira com cinco anos de idade. Família circense, atuou em diversos circos nacionais e internacionais. Aos 12 anos era o palhaço oficial do Circo Ocidental, pertencente ao seu padrasto. Em 1938 estreou como cantor na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, no programa Picolino. Na TV Tupi do Rio, comandou por 16 anos o "Circo Bombril", que passou a se chamar "Circo do Carequinha". Mas não ficava só no Rio. Fez programas na TV Piratini, de Porto Alegre, que ligava com várias apresentações ao vivo, por cidades do interior do Rio Grande do Sul, indo a Caxias, São Leopoldo, Uruguaiana e até Riviera, no Uruguai. Na capital gaúcha aparecia também na TV Gaúcha. E apareceu ainda na Festa da Uva, em 1972, programa em cores. Seu circo também fez a mesma coisa no estado do Paraná. Na década de 80, foi para a TV Manchete, onde a assessora de seu programa era Marlene Mattos, que também já assessorava Xuxa, no mesmo canal. Carequinha inventou brincadeiras com as crianças, que iam todas aos seus programas, e lá brincavam de corrida de saco, corrida com a maçã, etc.
Como era cantor, gravou muitas musiquinhas infantis. Gravou 26 discos, fez diversos filmes, e teve sua marca impressa em inúmeros produtos infantis. As músicas que mais se destacaram foram: "Sapo Cururu", "Marcha Soldado", "Escravos de Jó" e principalmente "O Bom Menino". Este era um incentivo ao bom comportamento infantil, pois dizia: "O bom menino não faz xixi na cama / O bom menino não faz mal criação / O bom menino respeita os mais velhos / O bom menino não bate na irmãzinha / Papai do Céu protege o bom menino / Que obedece sempre, sempre a mamãezinha". E assim por diante. Carequinha foi recebido por Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, todos os presidentes militares e até por Fernando Henrique Cardoso. Seu último trabalho foi uma participação no seriado "Hoje é Dia de Maria", em 2005, na Rede Globo de Televisão.
Carequinha morreu em 5 de abril de 2006. Estava com 90 anos da idade. Ele é considerado por todos como patrimônio da cultura brasileira. É figura inesquecível de todos aqueles que o viram um dia. Foi enterrado com roupa de palhaço, pois segundo ele próprio, queria ir assim, para alegrar os mortos.


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